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Marketing Digital

Não Sei Encontrar um Nicho: Como Descobrir Boas Oportunidades

Aprenda a observar problemas, investigar demanda, calcular a viabilidade e testar uma oportunidade antes de comprometer dinheiro.

Por Jefferson Severino PereiraFundador, Editor e Pesquisador em Estratégias Empresariais Publicado em 22 de agosto de 2026 29 min de leitura
Neste artigo · 13 tópicos
  1. 1. O que é nicho de mercado na prática
  2. 2. Onde eu procuraria oportunidades
  3. 3. Um exemplo: o negócio estava escondido dentro de uma ideia comum
  4. 4. Como investigar se há mercado
  5. 5. Faça as contas antes de se apaixonar pela ideia
  6. 6. O teste que eu faria antes de investir pesado
  7. 7. E quando existem várias ideias boas?
  8. 8. Quando o nicho ficou estreito demais
  9. 9. Criatividade não precisa significar inventar algo inédito
  10. 10. Livro recomendado: Criatividade S.A.
  11. 11. Um roteiro para analisar sua ideia antes de seguir adiante
  12. 12. Perguntas frequentes sobre como encontrar um nicho
  13. 13. Conclusão: encontrar um nicho é investigação, não adivinhação

Há alguns anos tornou-se comum aconselhar quem deseja empreender a “encontrar um nicho”. O conselho faz sentido, mas deixou muita gente procurando uma resposta que provavelmente não existe.

A pessoa abre o Google, pesquisa quais são os nichos mais lucrativos, assiste a alguns vídeos e termina o dia com uma coleção de possibilidades: alimentação saudável, mercado pet, produtos personalizados, marketing digital, beleza, produtos naturais, infoprodutos.

No dia seguinte aparece outra lista.

E a decisão fica ainda mais difícil.

Se você está nessa situação e pensa “não sei encontrar um nicho”, talvez o problema não seja falta de ideias. Pode ser falta de um critério para separar uma oportunidade comercial de uma ideia simplesmente interessante.

Eu começaria por aí.

Um nicho não deveria ser escolhido porque apareceu três vezes em listas de tendências. Antes de colocar dinheiro no negócio, precisamos entender quem compraria, por que compraria, como resolve essa necessidade atualmente e se existe espaço econômico para você participar desse mercado.

Essa investigação é menos empolgante do que descobrir “o negócio do momento”. Em compensação, costuma produzir perguntas muito melhores.

Existe uma diferença importante entre procurar produtos para vender e procurar problemas que merecem uma solução.

Imagine alguém interessado no mercado pet.

A primeira abordagem seria pesquisar produtos: roupas para cachorro, brinquedos, acessórios, alimentação, camas.

Nada errado nisso. Mas ainda estamos olhando para um mercado enorme.

Agora imagine que essa pessoa conversa com donos de animais idosos e percebe dificuldades recorrentes para transportar cães grandes com mobilidade reduzida até consultas veterinárias.

A conversa mudou.

Não significa que encontramos um negócio viável. Talvez a demanda seja pequena, o custo do serviço seja alto ou já existam boas alternativas na região.

Mas agora existe algo concreto para investigar: um grupo de pessoas, uma situação específica e uma dificuldade observável.

É assim que eu prefiro pensar em nichos.

Não como uma gaveta onde escolhemos entrar, mas como um recorte de mercado no qual determinados clientes compartilham necessidades suficientemente parecidas para justificar uma oferta mais específica.

O que é nicho de mercado na prática

Vamos usar um exemplo simples.

Alimentação é um mercado.

Alimentação saudável já representa um recorte, mas continua bastante amplo.

Uma empresa poderia restringir a proposta para refeições prontas destinadas a profissionais que trabalham em determinada região empresarial e querem receber almoço durante a semana.

Outra poderia atender pessoas com necessidades alimentares específicas, desde que tenha conhecimento técnico, operação adequada e cumpra as exigências aplicáveis.

As duas trabalham com alimentação. O cliente, a necessidade, a operação e até os concorrentes podem ser completamente diferentes.

É por isso que não gosto muito da pergunta:

“Qual nicho dá dinheiro?”

A rentabilidade não pertence ao nome do nicho.

Duas empresas podem atuar no mesmo segmento e apresentar resultados muito diferentes porque compram de fornecedores diferentes, possuem custos distintos, cobram preços diferentes, atendem públicos diferentes ou conseguem clientes por canais com custos completamente distintos.

Escolher o mercado é apenas uma parte da decisão.

Onde eu procuraria oportunidades

Se estivesse começando essa pesquisa hoje, eu não passaria a semana inteira procurando tendências na internet.

Reservaria uma parte do tempo para observar a vida comum.

Há muito mercado acontecendo fora das redes sociais.

Reclamações recorrentes merecem um caderno

Preste atenção no que as pessoas reclamam repetidamente.

“Não encontro ninguém que faça isso.”

“Só fazem se eu comprar uma quantidade grande.”

“Preciso ir para outra cidade.”

“Demoram uma semana para entregar.”

“O serviço é bom, mas nunca respondem.”

“Para empresa pequena ninguém quer atender.”

Essas frases não comprovam demanda. Algumas reclamações existem justamente porque seria caro demais oferecer a solução desejada.

Ainda assim, elas fornecem hipóteses de pesquisa.

Se várias pessoas enfrentam o mesmo problema, descubra como resolvem a situação atualmente e quanto esse problema realmente incomoda.

Uma necessidade pela qual ninguém está disposto a pagar continua sendo difícil de transformar em negócio.

Observe mercados que já funcionam

Iniciantes às vezes procuram uma oportunidade sem concorrentes. Eu não colocaria isso como prioridade.

Uma rua com cinco oficinas mecânicas pode parecer um lugar ruim para abrir a sexta. Mas a existência das cinco também demonstra que há veículos, manutenção e dinheiro circulando naquele mercado.

A questão passa a ser outra: há alguma demanda mal atendida?

Talvez todas atendam bem e não exista espaço razoável para outro participante. Talvez haja filas de vários dias. Talvez ninguém faça determinado serviço. Talvez os clientes estejam satisfeitos e competir exija um investimento que não faça sentido.

A concorrência fornece informação.

Leia avaliações públicas de empresas do setor, especialmente as intermediárias e negativas. Não para atacar concorrentes, mas para compreender o que consumidores valorizam e aquilo que os incomoda.

Às vezes você descobre que o problema não está no produto.

Está no prazo, no atendimento, na instalação, na entrega, na comunicação ou na dificuldade para comprar.

Mudanças no comportamento também criam espaço

Novos hábitos podem abrir oportunidades, mas aqui é preciso evitar previsões grandiosas.

O aumento do trabalho remoto, por exemplo, alterou necessidades relacionadas a escritório, tecnologia e serviços profissionais. Mudanças demográficas podem modificar a procura por determinados serviços. Novas tecnologias eliminam algumas tarefas e criam outras.

Para estudar o mercado brasileiro, dados do IBGE podem ajudar a entender população, idade, domicílios, atividade econômica e características dos municípios. O Sebrae, por sua vez, mantém materiais voltados a pesquisa de mercado, planejamento e pequenos negócios.

Essas fontes não vão dizer: “abra esta empresa que dará certo”.

Elas ajudam a substituir algumas suposições por informação.

Um exemplo: o negócio estava escondido dentro de uma ideia comum

Imagine uma pessoa que sabe cozinhar e pensa em abrir uma confeitaria.

Ela começa pesquisando bolos, doces, embalagens e equipamentos. Faz o que muita gente faria.

Durante a pesquisa, porém, conversa com pequenos escritórios da região e percebe outra situação: quando essas empresas organizam reuniões, treinamentos ou pequenas comemorações, algumas têm dificuldade para encomendar kits em quantidades reduzidas. Determinados fornecedores trabalham melhor com eventos maiores.

Talvez exista uma oportunidade em kits de coffee break para pequenas reuniões empresariais.

Observe que ainda não estou dizendo que é um bom negócio.

Antes seria necessário levantar questões bastante práticas: quantas empresas poderiam comprar, com que frequência, quanto pagam atualmente, quem já atende esse mercado, qual o pedido mínimo dos concorrentes, custo de entrega, desperdício, produção, embalagem e regras sanitárias aplicáveis.

Essa investigação pode confirmar a hipótese.

Também pode destruí-la.

Se isso acontecer antes de a pessoa comprar equipamentos, assumir aluguel ou montar um estoque grande, a pesquisa cumpriu sua função.

Como investigar se há mercado

Aqui a internet volta a ser bastante útil.

Comece pesquisando no Google como consumidor, não como futuro empresário. Observe quais empresas aparecem, como apresentam suas ofertas e quais termos são utilizados.

O Google Trends pode ser empregado para comparar o interesse relativo por termos ao longo do tempo. É importante entender sua limitação: o Trends trabalha com interesse de pesquisa normalizado e não deve ser tratado como um contador de clientes ou faturamento.

Para negócios locais, dados demográficos ganham peso. O IBGE Cidades pode ajudar a conhecer melhor o município em que você pretende operar.

Marketplaces também oferecem pistas. Perguntas de consumidores, categorias, produtos semelhantes e avaliações ajudam a compreender linguagem, expectativas e problemas. Mais uma vez, são sinais, não garantia de oportunidade.

Mas eu não ficaria apenas na tela.

Converse com potenciais clientes.

E procure perguntar sobre o que eles fazem hoje, não apenas sobre o que imaginam fazer no futuro.

Há uma diferença enorme entre:

“Você compraria um serviço assim?”

e:

“Quando precisou resolver isso pela última vez, o que fez?”

A segunda pergunta tende a revelar comportamento.

A pessoa pode contar que procurou três fornecedores, desistiu porque era caro ou resolveu sozinha. Cada resposta ensina algo diferente.

Faça as contas antes de se apaixonar pela ideia

Esta parte costuma chegar tarde demais.

A pessoa gosta da ideia, escolhe o nome, cria identidade visual, abre Instagram, pesquisa embalagem e só depois começa a calcular.

Eu inverteria uma parte dessa ordem.

Não é necessário construir uma projeção financeira sofisticada para uma investigação inicial. Mas alguns números precisam aparecer cedo.

Considere um produto vendido por R$ 50.

Se ele custa R$ 20 para comprar ou produzir, é tentador imaginar que sobraram R$ 30.

Não necessariamente.

Pode haver embalagem, entrega, comissão, taxa de pagamento, imposto, perda, devolução, divulgação e custos fixos que precisam ser pagos pela operação.

Em serviços ocorre algo semelhante. O empreendedor calcula material, mas esquece deslocamento, horas improdutivas, retrabalho, ferramentas e o próprio tempo.

Por isso, quando alguém me pergunta sobre um nicho lucrativo, a resposta responsável precisa incluir a economia da operação.

Um mercado pode movimentar muito dinheiro e ainda assim ser ruim para uma empresa específica.

Uma conta preliminar

ItemEstimativa
Preço de vendaR$ ___
Produto/matéria-primaR$ ___
EmbalagemR$ ___
Entrega/logísticaR$ ___
Taxas/comissõesR$ ___
Tributos aplicáveisR$ ___
Outros custos variáveisR$ ___
Margem de contribuição estimadaR$ ___

Depois ainda existem os custos fixos.

Essa tabela não substitui um plano financeiro. Ela serve para evitar que uma ideia seja chamada de lucrativa apenas porque existe diferença entre preço de venda e custo do produto.

O teste que eu faria antes de investir pesado

Há um conceito importante no empreendedorismo contemporâneo: testar hipóteses antes de construir toda a operação.

Eric Ries popularizou essa abordagem no contexto de startups em A Startup Enxuta, defendendo ciclos de construção, medição e aprendizado. Nem toda pequena empresa é uma startup, e os métodos não precisam ser transplantados literalmente. O princípio de aprender antes de comprometer recursos demais, entretanto, é bastante útil.

Em um pequeno negócio, o teste pode ser bem simples.

Se você pensa em fornecer os kits empresariais do nosso exemplo, tente conversar com empresas reais antes de comprar uma cozinha inteira de equipamentos.

Apresente uma oferta possível.

Entenda quantidades.

Descubra prazos.

Calcule a entrega.

Veja se alguém demonstra disposição real para comprar.

Quando for operacional e legalmente possível, uma pequena venda piloto ensina mais do que dezenas de elogios à ideia.

Eu registraria os primeiros testes desta maneira:

ClienteNecessidadeO que ofereciObjeçãoComprou?O que aprendi
1
2
3
4
5

Não existe um número mágico de testes que valide qualquer negócio.

O objetivo é acumular evidências melhores do que “meus amigos disseram que a ideia é ótima”.

E quando existem várias ideias boas?

Isso também acontece.

Uma pessoa identifica três possibilidades e fica paralisada tentando descobrir qual é a perfeita.

Nesse caso, uma pequena matriz ajuda, desde que não seja tratada como uma fórmula matemática de sucesso.

Dê notas apenas para tornar suas premissas visíveis.

CritérioIdeia AIdeia BIdeia C
Consigo localizar os clientes?
O problema parece relevante?
Já existem compras nesse mercado?
Consigo começar com meus recursos?
Tenho conhecimento ou acesso a ele?
Consigo testar sem grande investimento?
A operação parece economicamente possível?

A coluna mais importante talvez nem seja a nota.

É a justificativa.

Se você marcou 5 em “problema relevante”, escreva qual evidência sustenta esse 5.

“Eu acho” é uma evidência fraca.

“Conversei com oito empresas e cinco relataram o mesmo problema” já é uma informação mais interessante — embora ainda não prove que comprarão sua solução.

Quando o nicho ficou estreito demais

Especialização ajuda a entender melhor o cliente e comunicar uma proposta com clareza. Só que existe um limite.

Imagine uma cidade pequena e um serviço extremamente específico que o mesmo cliente compra uma vez a cada cinco anos.

Você pode ter encontrado um nicho muito bem definido e, ao mesmo tempo, um mercado insuficiente para sustentar o negócio naquela área.

Por isso, sempre relacione o tamanho do nicho à economia da empresa.

Um consultor que precisa fechar quatro contratos por mês pode operar com um mercado potencial menor.

Um comércio de margem pequena e compra pouco frequente talvez precise de centenas ou milhares de consumidores acessíveis.

Geografia também muda a conta.

Um negócio digital pode alcançar compradores em diferentes regiões. Uma lavanderia, oficina ou serviço de entrega possui limitações geográficas muito mais concretas.

Não existe, portanto, uma regra séria dizendo que “quanto mais nichado, melhor”.

Existe um ponto em que especialização melhora a proposta. Depois dele, você pode simplesmente estar reduzindo demais o mercado.

Criatividade não precisa significar inventar algo inédito

Existe outra pressão sobre quem está procurando um nicho: a sensação de que um verdadeiro empreendedor deveria ter uma ideia que ninguém teve.

Grande parte dos pequenos negócios não nasce assim.

Restaurantes não inventaram comida. Contadores não inventaram contabilidade. Lojas não inventaram comércio.

O diferencial pode aparecer na especialização, experiência, conveniência, atendimento, distribuição, velocidade, preço, modelo de receita ou combinação de soluções que já existem.

Isso nos leva a uma discussão interessante sobre criatividade.

Ed Catmull, cofundador da Pixar, escreveu em Criatividade S.A. sobre a construção de uma organização capaz de desenvolver ideias criativas enquanto enfrenta problemas, incertezas, feedback e falhas.

A experiência da Pixar é obviamente muito diferente da realidade de um MEI ou de uma pequena empresa brasileira. Ainda assim, existe uma lição que atravessa essa diferença de escala: uma boa ideia não precisa nascer pronta.

Ela pode melhorar durante o processo.

Esse raciocínio é particularmente útil para quem está paralisado procurando “a ideia perfeita”.

Talvez você não precise encontrá-la.

Talvez precise encontrar uma hipótese suficientemente interessante para começar a investigar.

Livro recomendado: Criatividade S.A.

Uma leitura para quem acha que precisa esperar a grande ideia aparecer

Criatividade S.A., de Ed Catmull com Amy Wallace, não é um livro sobre escolher nichos de mercado. E justamente por isso achei que fazia sentido trazê-lo aqui.

Catmull usa a trajetória da Pixar para discutir como pessoas e organizações lidam com criatividade, colaboração, feedback, liderança e problemas que podem impedir boas ideias de evoluir.

Para quem está pensando em empreender, há uma conexão interessante.

É comum imaginar criatividade como um momento de inspiração: um dia você acorda e finalmente encontra “aquela ideia”.

A experiência empresarial costuma ser menos cinematográfica. Uma ideia inicial encontra clientes, restrições, custos, críticas e concorrentes. Algumas partes funcionam. Outras precisam ser abandonadas. A oportunidade vai tomando forma enquanto você aprende.

O livro é uma leitura interessante para quem deseja ampliar essa maneira de pensar, especialmente se a dificuldade não é apenas encontrar um mercado, mas desenvolver ideias sem exigir que elas sejam perfeitas desde o início.

Um roteiro para analisar sua ideia antes de seguir adiante

Depois de toda essa discussão, eu reduziria a análise a uma página.

Pegue a ideia que você está considerando e responda:

Quem é o cliente? Evite “todo mundo”. Descreva quem provavelmente enfrentaria a necessidade.

Qual problema estou tentando resolver? Explique em linguagem comum.

Como essas pessoas resolvem isso hoje? Inclua concorrentes e soluções improvisadas.

O que me faz acreditar que existe demanda? Separe evidência de opinião.

Onde encontro essas pessoas? Google, rua, empresas, associações, redes sociais, marketplaces, indicações?

Quanto elas pagam atualmente por alternativas?

Quanto provavelmente custará entregar minha solução?

O que preciso comprar antes da primeira venda?

Existe alguma licença, regulamentação ou qualificação necessária?

Qual é a forma menos cara de testar minha hipótese?

O que preciso descobrir antes de investir mais?

Guarde as respostas.

Depois das primeiras conversas ou vendas, volte à mesma página.

Se praticamente tudo mudou, isso não significa necessariamente que você fracassou na escolha do nicho. Pode significar que finalmente começou a conhecer o mercado.

Perguntas frequentes sobre como encontrar um nicho

Como encontrar um nicho para começar a empreender?
Comece procurando necessidades de grupos específicos de consumidores e investigue como essas pessoas resolvem o problema atualmente. Depois analise concorrência, capacidade de pagamento, custos, acesso aos clientes e sua capacidade de entregar a solução. Sempre que possível, teste a proposta em pequena escala antes de assumir custos elevados.
Como descobrir se um nicho tem procura?
Combine diferentes sinais. Pesquisas no Google, Google Trends, concorrentes, marketplaces e dados públicos podem ajudar, mas converse também com potenciais compradores. Procure entender comportamentos reais: onde compram, quanto pagam, com que frequência precisam e quais problemas encontram.
Um nicho sem concorrência é melhor?
Não necessariamente. A ausência de concorrentes pode representar uma oportunidade, mas também pode indicar baixa demanda ou dificuldades econômicas naquele mercado. A existência de concorrência ajuda a demonstrar que há alguma atividade comercial, embora não prove que exista espaço para mais uma empresa.
Como saber se um nicho é lucrativo?
É preciso fazer contas. Avalie preço de venda, custos variáveis, despesas fixas, impostos aplicáveis, logística, aquisição de clientes, frequência de compra e volume necessário para sustentar a operação. Não existe um nicho que seja automaticamente lucrativo para todas as empresas.
Preciso trabalhar com algo que amo?
Não. Afinidade pode ser positiva porque você passará bastante tempo lidando com aquele mercado, mas interesse pessoal não substitui demanda. Também não é aconselhável escolher deliberadamente uma atividade que você detesta apenas porque parece rentável. A decisão envolve mercado, capacidade e disposição para executar.
Como encontrar um nicho em uma cidade pequena?
Observe necessidades que moradores resolvem em municípios vizinhos, serviços com espera elevada, públicos pouco atendidos e reclamações recorrentes. Dados do IBGE podem ajudar a compreender o tamanho e as características da população, mas a pesquisa local e as conversas com potenciais clientes continuam importantes.
Vale usar o Google Trends para escolher um nicho?
Sim, como uma das ferramentas de pesquisa. O Google Trends permite observar e comparar interesse relativo de busca ao longo do tempo. Ele não informa sozinho o tamanho do mercado, número de clientes ou lucratividade, portanto deve ser combinado com outras fontes.
Posso mudar de nicho depois de começar?
Pode. A experiência com clientes frequentemente revela que a necessidade real é diferente da imaginada inicialmente. O importante é entender por que a mudança está sendo feita e, sempre que possível, baseá-la em informações obtidas no mercado e na operação.

Conclusão: encontrar um nicho é investigação, não adivinhação

Quem chega ao Google dizendo “não sei encontrar um nicho” geralmente espera sair com uma ideia.

Eu preferiria que você saísse com um método de investigação.

Observe problemas.

Converse com pessoas.

Pesquise alternativas existentes.

Veja quem já está vendendo.

Faça uma conta preliminar.

Tente descobrir quanto o cliente realmente paga.

E, quando a atividade permitir, teste pequeno.

Há uma diferença importante entre desistir de uma ideia e descobrir cedo que ela não fecha. A segunda situação pode economizar dinheiro, tempo e uma quantidade considerável de dor de cabeça.

Também não descarte uma oportunidade apenas porque ela parece simples.

O pequeno empresário nem sempre precisa inventar um mercado. Muitas vezes existe espaço em mercados conhecidos para quem identifica um grupo mal atendido, compreende melhor uma necessidade ou encontra uma maneira economicamente viável de entregar uma solução.

Portanto, se hoje você ainda não sabe encontrar um nicho, não tente resolver tudo escolhendo um nome em uma lista.

Escolha uma hipótese. Depois, verifique também como conseguir clientes pela internet para avaliar se o público é acessível.

E comece a investigá-la.

Fontes citadas

  1. dados do IBGE
  2. Sebrae
  3. Google Trends
  4. IBGE Cidades

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