O que o pequeno empreendedor pode esperar depois das eleições de 2026
Entenda os fatos já definidos, as decisões que dependerão dos eleitos e como preparar o negócio para impostos, crédito e consumo em 2027.
Neste artigo · 19 tópicos
- 1. A eleição de 2026 mudará muito mais do que a Presidência
- 2. O que acontece entre o resultado e a posse
- 3. A primeira mudança importante de 2027 já está em andamento
- 4. Atenção: uma decisão sobre o Simples Nacional acontece antes da eleição
- 5. O novo governo poderá mudar a Reforma Tributária?
- 6. Juros não são definidos diretamente pelo presidente
- 7. O dólar pode oscilar, mas a eleição não é a única causa
- 8. O orçamento de 2027 limita as promessas
- 9. O que poderá mudar de acordo com o resultado
- 10. Três cenários que o empreendedor pode monitorar
- 11. Painel pós-eleitoral para pequenos negócios
- 12. O impacto muda conforme o tipo de empresa
- 13. O que eu não faria antes da eleição
- 14. Fluxograma: como reagir a uma notícia depois da eleição
- 15. Livro recomendado: Antifrágil
- 16. Como construir uma empresa menos vulnerável ao resultado
- 17. Plano prático entre setembro de 2026 e março de 2027
- 18. Perguntas frequentes
- 19. Conclusão
Data-base da apuração: 31 de agosto de 2026.
Em períodos eleitorais, cresce a procura por previsões.
O dólar vai subir? Os juros cairão? O novo governo aumentará impostos? Haverá mais crédito? O consumidor voltará a comprar? Vale a pena contratar agora ou esperar?
Entendo a preocupação. Para uma pequena empresa, uma decisão tomada no momento errado pode comprometer meses de caixa. O problema está na expectativa de encontrar respostas precisas antes que as próprias decisões políticas existam.
Em 4 de outubro de 2026, os brasileiros escolherão presidente da República, governadores, senadores e deputados. Se houver segundo turno para as disputas majoritárias, a votação ocorrerá em 25 de outubro. As datas fazem parte do calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
O resultado definirá quem ocupará cargos importantes. Ainda não definirá, sozinho, o preço do crédito, a cotação do dólar, a inflação de 2027 ou as regras finais de cada programa destinado aos pequenos negócios.
Minha proposta neste artigo é separar três camadas que costumam ser misturadas:
- fatos já definidos por lei ou calendário;
- decisões que dependerão dos eleitos;
- variáveis econômicas que nenhum governo controla sozinho.
Essa separação permite ao empreendedor se preparar sem transformar campanha eleitoral em previsão financeira.
A eleição de 2026 mudará muito mais do que a Presidência
A atenção costuma ficar concentrada na disputa presidencial. Para quem administra uma empresa, a composição do Congresso também merece acompanhamento.
Em 2026 estarão em disputa:
- 513 vagas para a Câmara dos Deputados;
- 54 das 81 cadeiras do Senado;
- os governos dos 26 estados e do Distrito Federal;
- as assembleias legislativas;
- a Presidência da República.
Os números são do Tribunal Superior Eleitoral.
Isso importa porque um presidente não altera sozinho as principais leis tributárias, trabalhistas ou orçamentárias. Projetos precisam tramitar, formar maioria, passar por comissões e receber aprovação das Casas legislativas, conforme cada caso.
Um governo eleito com forte apoio parlamentar encontrará um ambiente diferente daquele enfrentado por um presidente obrigado a negociar cada votação com uma coalizão fragmentada.
Os governadores também interferem no cotidiano empresarial. Estados administram políticas de desenvolvimento regional, segurança pública, licenciamento, infraestrutura, fiscalização, programas de crédito e parte da tributação durante a transição da Reforma Tributária.
Por essa razão, considero incompleta qualquer análise pós-eleitoral que olhe apenas para o nome do presidente vencedor.
O que acontece entre o resultado e a posse
A imagem de que um governo assume imediatamente após a apuração está errada.
Se houver mudança na Presidência, o candidato eleito poderá instituir uma equipe de transição. Esse direito está previsto na Lei nº 10.609, de 2002.
A transição serve para que o grupo eleito tenha acesso a informações sobre:
- funcionamento dos órgãos;
- programas em andamento;
- contratos;
- situação fiscal;
- prioridades orçamentárias;
- riscos administrativos;
- compromissos assumidos;
- medidas que exigirão decisão no início do mandato.
Enquanto isso, o Congresso continuará discutindo o Orçamento de 2027. O projeto orçamentário é preparado e enviado pelo governo que ainda ocupa o cargo. O presidente eleito receberá, portanto, um orçamento construído antes de sua posse e aprovado em negociação com o Congresso.
O novo governo pode propor alterações posteriormente, mas não começa com uma folha em branco.
Linha do tempo depois das urnas
Linha do tempo entre as eleições de 2026 e os primeiros meses de 2027.
- 14 de outubroPrimeiro turno, escolha de presidente, governadores, senadores e deputados.
- 225 de outubroPossível segundo turno das disputas majoritárias.
- 3Novembro e dezembroTransição, anúncio de ministros e discussão do Orçamento de 2027.
- 4Janeiro de 2027Posse, primeiras medidas e avanço da Reforma Tributária.
- 5Primeiros meses de 2027Projetos, regulamentações, prioridades e execução do orçamento.
A composição ministerial oferecerá os primeiros sinais concretos. Fazenda, Planejamento, Desenvolvimento, Trabalho e Emprego, Empreendedorismo, além das áreas de infraestrutura e indústria, influenciam políticas que chegam às empresas.
Ainda assim, nomeações indicam direção. O efeito prático depende das medidas apresentadas, do orçamento disponível e do apoio político para executá-las.
A primeira mudança importante de 2027 já está em andamento
Enquanto boa parte do debate público permanece concentrada na eleição, as empresas atravessam uma transformação tributária iniciada antes dela.
A Reforma Tributária do Consumo foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 132 e regulamentada por leis complementares. Portanto, sua transição continuará em 2027 independentemente de quem vencer a eleição, salvo futuras alterações aprovadas pelo Congresso.
Segundo a Receita Federal, 2026 funciona como ano de teste da CBS e do IBS.
Em 2027 e 2028, o cronograma prevê:
- cobrança da CBS;
- cobrança do IBS com alíquota de 0,1%;
- extinção de PIS e Cofins;
- redução do IPI a zero para a maioria dos produtos, preservadas as exceções relacionadas à Zona Franca de Manaus;
- entrada em vigor do Imposto Seletivo.
A transição de ICMS e ISS para o IBS ganhará força entre 2029 e 2032. O novo modelo deverá entrar integralmente em vigor em 2033.
Para o pequeno empresário, o trabalho começa antes de calcular qualquer alíquota. Será necessário conferir:
- sistema de emissão de notas;
- cadastro de produtos e serviços;
- classificação fiscal;
- contratos;
- formação de preço;
- tratamento dos créditos;
- comunicação com fornecedores;
- capacidade do contador e do sistema utilizado.
Nosso artigo sobre split payment na Reforma Tributária explica outra parte dessa transformação: a possibilidade de segregação dos tributos durante a liquidação financeira de determinadas operações.
Atenção: uma decisão sobre o Simples Nacional acontece antes da eleição
Este é um dos pontos mais urgentes da pesquisa.
O Comitê Gestor do Simples Nacional alterou o calendário para empresas que desejam ingressar no regime em 2027. A solicitação deverá ser realizada entre 1º e 30 de setembro de 2026, e não mais em janeiro do ano seguinte.
A mudança foi divulgada pelo Ministério da Fazenda.
Empresas já optantes também poderão avaliar o recolhimento de IBS e CBS pelo regime regular. Essa alternativa vem sendo chamada informalmente de “Simples híbrido”: os demais tributos permanecem no regime simplificado, enquanto IBS e CBS são apurados pelas regras próprias.
A escolha pode afetar:
- aproveitamento e transferência de créditos;
- competitividade em vendas para outras empresas;
- fluxo de caixa;
- obrigações acessórias;
- custo contábil;
- precificação.
Não existe uma resposta adequada para todas as empresas. Negócios que vendem principalmente ao consumidor final podem enfrentar uma realidade diferente daqueles que fornecem para empresas interessadas em créditos tributários.
O ponto prático é simples: esperar o resultado da eleição para conversar com o contador pode significar perder o prazo.
O novo governo poderá mudar a Reforma Tributária?
Poderá propor mudanças.
A Reforma Tributária possui base constitucional e legal, além de sistemas e cronogramas em implantação. Alterações relevantes dependerão do instrumento jurídico adequado e, em muitos casos, de aprovação parlamentar.
Um novo governo poderá:
- propor ajustes legislativos;
- modificar prioridades de regulamentação;
- acelerar ou desacelerar partes operacionais dentro dos limites legais;
- revisar procedimentos;
- alterar a comunicação e o suporte aos contribuintes;
- negociar mudanças com estados, municípios e Congresso.
Não seria responsável afirmar, antes da eleição e da apresentação das propostas, que a reforma será mantida exatamente como está ou profundamente modificada.
Para a empresa, o comportamento prudente é preparar-se com base nas regras vigentes e acompanhar alterações oficiais. Paralisar toda a adaptação à espera de uma mudança política aumenta o risco de começar 2027 despreparado.
Juros não são definidos diretamente pelo presidente
Durante a campanha, candidatos podem prometer crescimento, crédito barato ou melhora no consumo. A taxa Selic, porém, é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.
O Banco Central possui autonomia legal e conduz a política monetária observando inflação, atividade econômica, expectativas e riscos.
Isso não torna a política econômica do governo irrelevante. Decisões fiscais, credibilidade das contas públicas, gastos, receitas e reformas podem afetar expectativas, câmbio, inflação e condições financeiras. Esses efeitos chegam ao ambiente analisado pelo Banco Central.
A relação é indireta e mais complexa do que a frase “o presidente vai baixar os juros”.
O próprio Banco Central explica que a política monetária afeta:
- consumo e investimento;
- custo do crédito;
- decisões entre gastar e poupar;
- taxa de câmbio;
- preço dos ativos;
- expectativas econômicas.
Para uma pequena empresa, juros altos aparecem no capital de giro, antecipação de recebíveis, financiamento de equipamentos, parcelamento de dívidas e capacidade de compra dos clientes.
Depois da eleição, acompanhe decisões efetivas de política fiscal e monetária. Discursos de campanha não substituem atas do Copom, dados de inflação e condições oferecidas pelos bancos.
O dólar pode oscilar, mas a eleição não é a única causa
A cotação do dólar costuma ocupar as manchetes durante disputas eleitorais. Parte das oscilações pode refletir avaliações sobre os candidatos e suas propostas econômicas.
Outros fatores continuam atuando:
- juros nos Estados Unidos;
- crescimento da economia mundial;
- preços de commodities;
- conflitos internacionais;
- fluxo de investimentos;
- situação fiscal brasileira;
- inflação;
- percepção de risco;
- oferta e procura por moeda.
Uma pequena empresa importadora pode sentir rapidamente uma alta do dólar. Quem utiliza insumos nacionais também pode ser afetado se parte da cadeia depender de produtos importados.
Já empresas exportadoras ou prestadoras de serviços para clientes estrangeiros podem encontrar oportunidades, embora também enfrentem custos e instabilidade.
Eu evitaria apostar toda a formação de preços em uma única previsão cambial. Quando a exposição for relevante, vale trabalhar com margens de segurança, prazo curto para propostas e cláusulas claras de reajuste.
O orçamento de 2027 limita as promessas
Programas de crédito, subsídios, investimentos e políticas para pequenos negócios precisam caber no orçamento ou encontrar outra fonte legal de recursos.
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 estabelece parâmetros fiscais e orienta a elaboração do orçamento. Na proposta enviada pelo governo, a meta central de resultado primário para 2027 é de R$ 73,2 bilhões, com intervalo de tolerância previsto no documento.
Esse número ainda faz parte do processo orçamentário e pode sofrer alterações durante a tramitação.
A proposta também utilizou parâmetros macroeconômicos para elaborar suas contas. Entre eles estava uma projeção de salário mínimo de R$ 1.717 para 2027. O valor definitivo dependerá da regra legal, da inflação efetiva e do orçamento aprovado.
Esses parâmetros não devem ser lidos como promessas garantidas. São hipóteses usadas para organizar o planejamento público.
O governo eleito poderá defender outra composição de despesas e receitas, mas receberá restrições fiscais, despesas obrigatórias e um orçamento já em estágio avançado.
É nesse ponto que a diferença entre programa eleitoral e capacidade de execução se torna visível.
O que poderá mudar de acordo com o resultado
Algumas áreas oferecem espaço maior para mudança de direção.
Política fiscal
O governo poderá defender ajustes de despesas, novas receitas, revisão de benefícios tributários, investimentos públicos ou mudanças nas regras fiscais.
A reação econômica dependerá do conteúdo, da credibilidade e da aprovação política de cada proposta.
Programas de crédito e garantias
Bancos públicos e órgãos de desenvolvimento podem receber novas prioridades. Poderão surgir linhas voltadas a inovação, exportação, sustentabilidade, indústria, mulheres empreendedoras ou desenvolvimento regional.
A criação de uma linha não garante que o crédito será barato ou acessível. Bancos analisam risco, garantias, histórico e capacidade de pagamento.
Relações de trabalho
Mudanças em normas trabalhistas relevantes dependem do Congresso, enquanto regulamentações e fiscalização também podem variar conforme a orientação do Executivo.
Empresas com funcionários devem acompanhar medidas oficiais, evitando reorganizar contratos com base em rumores eleitorais.
Investimento público
Infraestrutura, obras, compras governamentais e programas estaduais podem criar demanda para fornecedores locais. A execução dependerá do orçamento, dos projetos disponíveis e da capacidade administrativa.
Política industrial e comercial
Importação, exportação, incentivos, conteúdo nacional e acordos comerciais podem receber prioridades diferentes.
Fiscalização e digitalização
A digitalização tributária continuará avançando. Um novo governo pode mudar o ritmo e a forma de implementação, porém é difícil imaginar um retorno amplo a processos manuais.
Três cenários que o empreendedor pode monitorar
Não vou associar os cenários a candidatos ou partidos. O objetivo é observar decisões depois do resultado.
Cenário de continuidade
O governo eleito preserva a orientação econômica predominante, mantém a implementação da Reforma Tributária e realiza ajustes graduais.
Nesse ambiente, a principal tarefa será acompanhar a execução. Continuidade política não elimina mudanças tributárias, regulatórias ou orçamentárias já programadas.
Cenário de ajuste fiscal mais forte
O governo e o Congresso priorizam redução de despesas, aumento de receitas ou revisão de benefícios para melhorar as contas públicas.
O curto prazo pode trazer contenção de gastos e revisão de programas. Uma percepção mais favorável sobre a sustentabilidade fiscal também pode influenciar expectativas e condições financeiras, embora o resultado dependa do conjunto das medidas.
Cenário de mudança com negociação difícil
O governo apresenta uma agenda diferente, mas encontra resistência ou fragmentação no Congresso.
Projetos podem ser modificados, atrasados ou divididos. A incerteza dura mais porque anúncios não se convertem rapidamente em normas aprovadas.
Esses cenários não abrangem todas as possibilidades. Servem como um painel de observação.
Painel pós-eleitoral para pequenos negócios
| Tema | O que acompanhar | Onde o impacto pode aparecer |
|---|---|---|
| Equipe econômica | Ministros, secretários e primeiras prioridades | Confiança, política fiscal e regulamentação |
| Congresso | Presidências das Casas, coalizões e pautas prioritárias | Aprovação, alteração ou bloqueio de projetos |
| Orçamento de 2027 | Receitas, despesas, investimentos e programas | Demanda pública, crédito e tributação |
| Copom | Selic, atas e projeções de inflação | Empréstimos, consumo e capital de giro |
| Reforma Tributária | Regulamentos, notas fiscais, CBS, IBS e Simples | Sistemas, preço, crédito tributário e caixa |
| Estados | Secretariado, incentivos, infraestrutura e fiscalização | Custos e oportunidades regionais |
| Câmbio | Tendência e volatilidade | Insumos, importações, exportações e propostas |
| Trabalho | Projetos, normas e fiscalização | Contratação e custo da folha |
Não é necessário acompanhar cada notícia política. Escolha os assuntos que realmente atingem seu modelo de negócio.
O impacto muda conforme o tipo de empresa
Comércio
Varejistas devem observar renda, emprego, crédito ao consumidor, inflação, custo de reposição e mudança tributária.
O IBGE informou que o comércio brasileiro empregava 10,6 milhões de pessoas em 2024 e reunia aproximadamente 1,6 milhão de empresas. É um setor amplo, com grande presença de negócios menores e forte sensibilidade ao consumo.
Prestadores de serviços
Empresas de serviços precisam acompanhar CBS, IBS, tratamento de créditos, folha, contratação e demanda das famílias ou de outras empresas.
Negócios intensivos em mão de obra podem sentir mudanças trabalhistas e salariais com maior rapidez.
Empresas que vendem para outras empresas
Para fornecedores B2B, a escolha sobre o tratamento de IBS e CBS no Simples pode afetar a relação com clientes interessados em créditos tributários.
Essa análise exige simulação contábil. Olhar apenas para a alíquota nominal pode levar a conclusões ruins.
Empresas ligadas ao poder público
Prestadores e fornecedores do governo devem acompanhar orçamento, licitações, prioridades setoriais e ritmo de pagamento.
Uma mudança de gestão pode reorganizar projetos, mas contratos e obrigações existentes não desaparecem automaticamente.
Empresas importadoras ou exportadoras
Câmbio, política comercial, tarifas, logística e demanda internacional terão peso maior que o debate político isolado.
O que eu não faria antes da eleição
Eu não tomaria uma dívida longa porque um candidato prometeu juros menores.
Também não congelaria todos os investimentos apenas porque pesquisas eleitorais mudaram.
Evitaria ainda:
- estocar produtos sem demanda comprovada por medo de uma alta cambial;
- demitir antecipadamente com base em boatos;
- mudar o regime tributário sem simulação;
- prometer preços fixos por longos períodos quando os custos são voláteis;
- confundir proposta de campanha com lei aprovada;
- repassar notícias sem conferir a fonte;
- colocar toda a reserva financeira em uma aposta sobre o resultado.
A eleição merece atenção. Não deveria transformar a empresa em uma mesa de apostas.
Fluxograma: como reagir a uma notícia depois da eleição
Fluxograma para avaliar notícias econômicas e políticas antes de tomar uma decisão empresarial.
- 1A informação veio de fonte oficial ou documento verificável?Se não, procure a norma, o órgão responsável ou a publicação original.
- 2É anúncio, proposta, projeto, norma aprovada ou regra em vigor?Anúncios devem ser acompanhados, projetos permitem simulações e regras aprovadas exigem confirmação de vigência e alcance.
- 3O impacto material sobre sua empresa foi calculado?Se sim, ajuste caixa, preço, contrato, sistema ou operação. Se não, busque análise técnica.
Esse filtro evita que a empresa reaja da mesma forma a uma fala em entrevista e a uma lei publicada.
Livro recomendado: Antifrágil
Como construir uma empresa menos vulnerável ao resultado
O empreendedor não controla a eleição. Pode melhorar sua capacidade de atravessar mudanças.
Proteja o caixa
Separe compromissos assumidos, impostos, folha, fornecedores e dívidas. Faça uma projeção até pelo menos o primeiro trimestre de 2027.
Nosso guia de gestão financeira para pequenas empresas ajuda a organizar fluxo de caixa, reserva e decisões baseadas nos números do negócio.
Nosso guia para descobrir se o negócio é realmente lucrativo ajuda a separar caixa, faturamento e resultado.
Conheça sua exposição aos juros
Liste empréstimos, antecipações, compras parceladas e dívidas com taxa variável.
Calcule o efeito de juros maiores por mais tempo. Depois avalie o que aconteceria se o crédito melhorasse. A empresa não deveria depender exclusivamente do cenário otimista.
Revise preços e contratos
Identifique propostas longas, produtos importados e serviços com custos capazes de mudar durante a execução.
O objetivo não é reajustar tudo antecipadamente. É saber onde uma mudança de custo pode destruir margem.
Reduza dependências perigosas
Analise quanto da receita vem do maior cliente, fornecedor, canal ou programa público.
Uma pequena empresa pode estar saudável e ainda ser frágil porque depende de uma única relação.
Prepare sistemas e contador para 2027
Confirme se o emissor de notas, o sistema de gestão e o escritório contábil estão acompanhando a Reforma Tributária.
Pergunte sobre o prazo do Simples, os campos fiscais, o tratamento de IBS e CBS e os testes necessários.
Mantenha documentos organizados
Mudanças tributárias e financeiras exigem acesso rápido a contratos, cadastros, notas e relatórios.
O guia sobre Google Drive para empresas apresenta uma estrutura para organizar arquivos e acessos.
Plano prático entre setembro de 2026 e março de 2027
Antes da eleição
Converse com o contador sobre o Simples Nacional e a Reforma Tributária. O prazo de setembro exige atenção imediata.
Atualize:
- projeção de caixa;
- dívidas;
- contratos;
- lista de custos;
- cadastro fiscal;
- sistemas utilizados;
- fornecedores críticos.
Não espere outubro para uma decisão cujo prazo termina em setembro.
Depois do resultado
Observe os anúncios da equipe econômica, mas procure documentos e medidas.
Compare as propostas do governo eleito com:
- composição do Congresso;
- orçamento disponível;
- regras fiscais;
- legislação vigente;
- prazo necessário para aprovação.
Atualize três cenários internos: conservador, provável e favorável. Eles devem mostrar efeitos sobre vendas, custos, crédito e caixa.
Na virada do ano
Confirme as regras tributárias efetivamente aplicáveis em janeiro.
Teste notas, sistemas, cadastros e rotinas contábeis. Revise preços quando houver mudança comprovada de custo ou tributação.
No primeiro trimestre de 2027
Compare expectativa e realidade.
Verifique:
- vendas;
- margem;
- custo financeiro;
- inadimplência;
- prazo de recebimento;
- impostos;
- demanda dos clientes;
- investimentos públicos relevantes para seu setor.
Não mantenha um plano apenas porque ele foi criado antes da eleição. Dados reais merecem mais peso que previsões antigas.
Perguntas frequentes
A economia melhora imediatamente depois das eleições?
O novo presidente pode baixar a taxa Selic?
O dólar sempre sobe em ano eleitoral?
O Simples Nacional pode acabar depois das eleições?
Preciso mudar o preço por causa da Reforma Tributária?
Vale a pena esperar a eleição para investir?
O governo eleito pode mudar o Orçamento de 2027?
Quem vencer a Presidência conseguirá cumprir todas as promessas?
As eleições estaduais importam para pequenas empresas?
Como identificar uma notícia econômica falsa depois da eleição?
Conclusão
O pequeno empreendedor pode esperar mudanças depois das eleições de 2026. Não deveria esperar uma transformação instantânea e completamente previsível.
O governo eleito receberá uma economia em movimento, um orçamento em discussão, regras fiscais, contratos públicos, um Banco Central autônomo e uma Reforma Tributária já em implantação.
Receberá também um Congresso renovado. Em 2026, dois terços do Senado e toda a Câmara estarão em disputa. A relação entre Executivo e Legislativo ajudará a determinar o ritmo das mudanças.
Algumas decisões empresariais nem sequer podem aguardar as urnas. O novo calendário do Simples Nacional oferece um exemplo concreto: setembro de 2026 já exige avaliação contábil para 2027.
Minha leitura é que o principal risco para a pequena empresa está nos extremos.
Um extremo consiste em ignorar completamente a política econômica. O outro transforma cada pesquisa eleitoral em ordem para contratar, demitir, comprar ou suspender investimentos.
Entre esses dois pontos existe uma postura mais madura: acompanhar fatos, calcular exposição e construir alternativas.
A empresa não precisa prever perfeitamente o próximo governo. Precisa conhecer o próprio caixa, sua dependência de crédito, a sensibilidade dos custos, os prazos tributários e as decisões que podem ser adiadas ou revertidas.
O guia pequenas empresas: como administrar e crescer complementa essa preparação com uma visão mais ampla da estrutura de gestão.
Depois das eleições, os discursos começarão a enfrentar orçamento, leis e capacidade de execução.
É nesse momento que o pequeno empreendedor deve trocar ansiedade por método.
Eleições e transição
- TSE: principais datas das Eleições 2026
- TSE: cargos em disputa nas Eleições 2026
- Lei nº 10.609/2002: equipe de transição governamental
Reforma Tributária e Simples Nacional
- Receita Federal: entenda a Reforma Tributária do Consumo
- Lei Complementar nº 214/2025
- Lei Complementar nº 227/2026
- Ministério da Fazenda: adequação do Simples Nacional à Reforma Tributária
- Receita Federal: novo prazo de opção pelo Simples Nacional
- Receita Federal: cronograma dos documentos fiscais eletrônicos
Economia, orçamento e crédito
- Banco Central: mecanismos de transmissão da política monetária
- Banco Central: Relatório de Política Monetária de junho de 2026
- Ministério do Planejamento: Projeto de LDO de 2027
- Ministério do Planejamento: Anexo de Metas Fiscais de 2027
- IBGE: Indicadores Econômicos do Brasil
- IBGE: estrutura do comércio brasileiro
Fontes e referências
- TSE: principais datas das Eleições 2026
- TSE: cargos em disputa nas Eleições 2026
- Lei nº 10.609/2002: equipe de transição governamental
- Receita Federal: entenda a Reforma Tributária do Consumo
- Ministério da Fazenda
- Lei Complementar nº 214/2025
- Lei Complementar nº 227/2026
- Ministério da Fazenda: adequação do Simples Nacional à Reforma Tributária
- Receita Federal: novo prazo de opção pelo Simples Nacional
- Receita Federal: cronograma dos documentos fiscais eletrônicos
- Banco Central: mecanismos de transmissão da política monetária
- Banco Central: Relatório de Política Monetária de junho de 2026
- Ministério do Planejamento: Projeto de LDO de 2027
- Ministério do Planejamento: Anexo de Metas Fiscais de 2027
- IBGE: Indicadores Econômicos do Brasil
- IBGE: estrutura do comércio brasileiro



